🇲🇷 Mauritânia

Rosso

Rosso é uma cidade fronteiriça estratégica do sul da Mauritânia e capital da região do Trarza, situada na margem norte do rio Senegal. É conhecida sobretudo como um intenso cruzamento comercial e migratório no eixo Tânger–Nouakchott–Dakar, mas essa posição dá-lhe também um carácter que nenhuma outra cidade mauritana possui: aqui acaba o deserto e começa o rio. O seu melhor quadro é a própria margem — o ferry que leva viajantes e camiões até Rosso-Senegal na outra margem, as pirogas dos pescadores, esse movimento ininterrupto entre dois países. Uma ponte transfronteiriça liga as duas margens: convém verificar o seu estado antes de viajar, pois muda por completo a experiência da passagem. O mercado de Rosso é dos mais vivos do sul: tecidos, especiarias, peixe do rio e produtos das duas margens, numa cidade onde as componentes mauritanas se cruzam com uma forte presença comercial senegalesa, com as suas línguas, a sua cozinha e um ritmo muito diferente do norte. Em redor estendem-se os arrozais e os perímetros irrigados do vale, um verde inesperado num país desértico; daqui abrem-se as estradas para Keur Macène, o Parque Nacional do Diawling e o delta com as suas aves migratórias.

O que ver

Aleg

Aleg, capital da região do Brakna, deve o seu interesse a uma posição estratégica — corredor vital que liga Nouakchott ao interior pela Estrada da Esperança — e ao ecossistema singular do seu famoso lago. Embora não seja um grande destino turístico clássico como as cidades históricas do norte, possui verdadeiros atrativos para o turismo ecológico e interno. O lago de Aleg conta-se entre os mais importantes planos de água doce da zona: cobre entre 2 500 e 5 000 hectares consoante as estações e atrai no inverno dezenas de milhares de aves aquáticas migratórias vindas da Europa — do ganso de bico vermelho ao marrequinho —, o que faz dele um refúgio de primeiro plano para os apreciadores de observação de aves. A cidade tem ainda uma forte carga simbólica: acolheu o congresso de Aleg de 1958, que lançou as primeiras pedras do Estado mauritano moderno e do caminho para a independência, abrindo a via a um turismo de memória. Situada a 265 km de Nouakchott, Aleg é uma paragem essencial para combustível, refeição e descanso dos grupos a caminho do leste e do sul do país. Representa, por fim, um ponto de encontro singular entre o meio saariano a norte e as terras pastoris que ladeiam o rio Senegal a sul, permitindo ao visitante descobrir um modo de vida onde se cruzam tradições nómadas e agrícolas.

Tiguent (Trarza) — A paragem de estrada entre Nouakchott e Rosso

Tiguent é uma cidade mauritana do sudoeste do país, administrativamente integrada na região do Trarza (departamento de Mederdra). Ergue-se na estrada nacional n.º 1, o eixo que liga Nouakchott a Rosso, na fronteira senegalesa, a cerca de 108 quilómetros a sul da capital e 96 quilómetros a norte de Rosso — praticamente a meio de um percurso de 204 km. É dessa posição que nasce o seu carácter: Tiguent é a paragem de todos os que descem rumo ao Senegal, uma escala principal para viajantes e camionistas, com os seus cafés e o seu chá, as refeições de estrada e uma animação que raramente abranda da manhã à noite. A cidade conheceu um desenvolvimento notável das infraestruturas, com a entrada em serviço de uma linha elétrica de alta tensão e de uma subestação principal que a ligam à capital e à zona de Beni Naaji. O clima é desértico, quente e seco, e a melhor época para a visitar vai de dezembro a fevereiro, quando o ar suaviza e a estrada do sul se torna um prazer. Para o viajante, Tiguent é uma porta prática para o sul mauritano: daqui segue-se para Rosso e o vale do rio, ou para oeste em direção a Mederdra e ao litoral do Trarza.

Rosso (Trarza) — Rio, fronteira e mercado no eixo Nouakchott–Dakar

Rosso é uma cidade fronteiriça estratégica do sul da Mauritânia e capital da região do Trarza, situada na margem norte do rio Senegal. É conhecida sobretudo como um intenso cruzamento comercial e migratório no eixo Tânger–Nouakchott–Dakar, mas essa posição dá-lhe também um carácter que nenhuma outra cidade mauritana possui: aqui acaba o deserto e começa o rio. O seu melhor quadro é a própria margem — o ferry que leva viajantes e camiões até Rosso-Senegal na outra margem, as pirogas dos pescadores, esse movimento ininterrupto entre dois países. Uma ponte transfronteiriça liga as duas margens: convém verificar o seu estado antes de viajar, pois muda por completo a experiência da passagem. O mercado de Rosso é dos mais vivos do sul: tecidos, especiarias, peixe do rio e produtos das duas margens, numa cidade onde as componentes mauritanas se cruzam com uma forte presença comercial senegalesa, com as suas línguas, a sua cozinha e um ritmo muito diferente do norte. Em redor estendem-se os arrozais e os perímetros irrigados do vale, um verde inesperado num país desértico; daqui abrem-se as estradas para Keur Macène, o Parque Nacional do Diawling e o delta com as suas aves migratórias.

R'Kiz (Trarza) — Um lago em pleno deserto e um polo agrícola do sudoeste

R'Kiz (ou Rkiz) é uma das moughataas essenciais da região do Trarza, no sudoeste da Mauritânia, e um dos principais polos agrícolas e de desenvolvimento do país, graças à sua posição estratégica e aos seus recursos naturais. O seu emblema é o célebre lago de R'Kiz, com trinta quilómetros de comprimento por cinco de largura: uma vasta extensão de água num país desértico, que compõe uma paisagem que o visitante da Mauritânia não espera. Toda a vida se organiza em torno do lago: cultivo de arroz e hortícolas nas margens, rebanhos que descem para beber, pescadores e as suas pirogas, aldeias que vivem ao ritmo da subida e da retirada das águas. A região atinge o seu maior esplendor durante a estação das chuvas, quando as margens verdejam, as depressões se enchem e o departamento se torna uma composição de água, erva e areia. Para o viajante o apelo é evidente: observar aves aquáticas e migratórias ao longo da margem, percorrer as bordas do lago entre campos e dunas, encontrar agricultores, pastores e pescadores, e ver o pôr do sol sobre um espelho de água que devolve o céu inteiro. A sua posição faz de R'Kiz uma etapa fácil num circuito do Trarza entre Nouakchott, Rosso e o vale do rio.

Mederdra (Trarza) — Capital histórica do emirado do Trarza

Mederdra é uma cidade e uma moughataa da região do Trarza, no sudoeste da Mauritânia, e a capital histórica e cultural do emirado do Trarza. Situa-se a cerca de 150 quilómetros a sudeste de Nouakchott e a uns 55 quilómetros a norte de Rosso, num país de areia plana, dunas e pastagens. O seu primeiro valor é a memória: aqui esteve o centro de gravidade do emirado que governou o sudoeste durante séculos, e tanto a cidade como os seus campos guardam essa marca nas genealogias, nos relatos orais, nos topónimos e numa cultura hassani viva, feita de poesia, mahadras, serões e rituais de hospitalidade. Atrai viajantes interessados na história e no património oral mais do que caçadores de monumentos de pedra: aqui escutam-se os relatos, visitam-se famílias de letrados, veem-se manuscritos guardados pelas famílias e compreende-se por dentro a sociedade do interior mauritano. Em redor estende-se a estepe do Trarza, com os seus rebanhos de dromedários e ovelhas, as tendas dos pastores e paisagens que verdejam depois das chuvas. A posição no eixo Nouakchott–Rosso faz dela um desvio fácil para quem desce para sul: meio dia basta para mudar o olhar sobre a região.