🇲🇷 Mauritânia

Zouerate

Capital da região do Tiris Zemmour, Zouerate é uma cidade mineira e operária erguida em pleno deserto do norte da Mauritânia, a cerca de 750 km de Nouakchott. Nascida no final dos anos 1950 e início dos anos 1960 com o arranque da exploração do minério de ferro, continua a viver ao ritmo da mina, com as suas infraestruturas geridas pela Sociedade Nacional Industrial e Mineira (SNIM). É daqui que parte o comboio do deserto mauritano, um dos mais longos comboios de mercadorias do mundo, percorrendo 650 km até à cidade costeira de Nouadhibou — uma aventura inesquecível. Em redor erguem-se enormes colinas ferrosas e maquinaria mineira colossal, enquanto se abre o Sara do Tiris Zemmour, com o seu ar puro e o seu silêncio. A tudo isto junta-se uma comunidade operária singular, fiel às autênticas tradições saarianas.

O que ver

Tourine

Tourine é uma zona desértica isolada do norte da Mauritânia, perto da cidade mineira de Zouérate, no eixo que segue para Bir Moghreïn, no coração do Tiris Zemmour. Aqui o Sara mostra-se na sua forma mais pura: planícies de cascalho e hamada negra até ao horizonte, atravessadas por dunas douradas, e montanhas isoladas que se erguem de repente do plano, num espaço de amplitude e silêncio raros. A região é o coração do país do ferro mauritano: por ela passam o mundo das minas e o célebre comboio mineiro, e é rodeada por paisagens geológicas excecionais que fazem da viagem uma experiência sobre a idade da Terra mais do que sobre cidades. A vida nómada mantém-se presente, com rebanhos de dromedários e acampamentos dispersos onde houver pastagem. As suas noites estão entre as mais límpidas do Sara: um céu sem qualquer poluição luminosa, que revela todas as estrelas.

Bir Moghreïn (Tiris Zemmour) — Cruzamento caravaneiro e porta do norte mauritano

Bir Moghreïn é uma cidade e uma moughataa estratégica do extremo norte da Mauritânia, na região do Tiris Zemmour, e o segundo centro populacional da região depois da capital regional, Zouérate. O departamento estende-se por um território imenso — cerca de 86 104 km² — com uma densidade extremamente baixa, numa natureza desértica de relevos ásperos. A sua história vem das pistas: Bir Moghreïn foi um cruzamento maior das rotas caravaneiras do Sara e um foco de resistência à colonização francesa, que na época colonial lhe deu o nome de Fort Trinquet. Hoje regressa ao primeiro plano com a abertura acordada do posto fronteiriço de Amghala – Bir Moghreïn, um corredor terrestre de 53 quilómetros que liga diretamente a moughataa à cidade de Smara e é visto como uma promissora porta comercial para o interior africano, complementar da passagem de Guerguerat. Os seus arredores são ainda um centro ativo de garimpo tradicional de ouro de superfície, que atrai milhares de garimpeiros e constitui uma artéria económica essencial para a população. Os projetos de desencravamento sucedem-se: estações de dessalinização e tratamento de água, quintas-piloto, eletricidade e telecomunicações. Para o viajante, Bir Moghreïn é um fim do mundo saariano: hamada e dunas a perder de vista, montanhas isoladas, silêncio absoluto, um céu noturno de rara pureza, acampamentos nómadas e uma cidade que vive ao ritmo das pistas, como sempre viveu.

Chegatt (Tiris Zemmour) — A terra do ouro no extremo nordeste mauritano

Chegatt é uma das zonas de garimpo artesanal de ouro de superfície mais conhecidas e mais ricas do extremo nordeste da Mauritânia, administrativamente integrada na região do Tiris Zemmour. Foi durante muito tempo uma zona militar fechada, guardada pelo exército mauritano devido à sua posição fronteiriça sensível, até que a presidência decidiu abri-la oficialmente aos garimpeiros tradicionais em dezembro de 2020, para relançar a economia local. Desde essa decisão, Chegatt tornou-se um fenómeno por si só: acampamentos que surgem em pleno deserto, veículos e detetores a varrer a hamada, milhares de homens vindos de todas as regiões do país em busca de ouro — uma cena que evoca as grandes corridas ao ouro da história, mas no coração do Sara e com um ritmo puramente mauritano. O seu enquadramento natural é a beleza na sua forma mais áspera: planícies de cascalho e hamada negra, dunas, colinas isoladas, um horizonte sem limite e um céu noturno de pureza absoluta. Chegatt não é um lugar de lazer, mas um espaço de trabalho e uma zona fronteiriça de acesso regulado; o seu valor, para o visitante curioso, é sobretudo humano: ver nascer do nada uma cidade provisória no meio do deserto e perceber como ali se vive, partilhando a água, o pão e a sorte.

Aïn Ben Tili (Tiris Zemmour) — Guarnição e hamada no extremo da Mauritânia

Aïn Ben Tili é uma pequena aldeia e uma guarnição militar histórica do extremo nordeste da Mauritânia, na região do Tiris Zemmour. O sítio ocupa um ponto fronteiriço estratégico extremamente sensível: encontra-se diretamente na fronteira com o Saara Ocidental e na estrada que leva à cidade argelina de Tindouf, o que faz dele há décadas um posto avançado e um observatório no cruzamento de três direções. É também um dos lugares habitados mais isolados do país: alguns edifícios, uma guarnição e um poço no meio de uma hamada sem fim, com a cidade mais próxima a centenas de quilómetros. A sua paisagem é o deserto na forma mais abstrata: planícies de cascalho escuro até ao horizonte, um céu de uma largura que desorienta os sentidos e um silêncio absoluto quebrado apenas pelo vento. Esta hamada imaculada goza de uma fama particular entre estudiosos e colecionadores de meteoritos: muitos meteoritos recolhidos na zona levam o nome de «Aïn Ben Tili», porque este solo nu e sem vegetação torna visíveis a olho nu as pedras caídas do céu. A visita dirige-se aos amantes dos grandes desertos e das fronteiras remotas mais do que ao turismo clássico.

Pelican 16 — O Shackleton abandonado no Sara desde 1994

O «Pelican 16» (matrícula 1716) é um bombardeiro de patrulha marítima Avro Shackleton da força aérea sul-africana. Em julho de 1994, na sequência de uma dupla avaria nos motores, o aparelho teve de fazer uma aterragem de emergência em pleno Sara, na região fronteiriça disputada entre Marrocos e o norte da Mauritânia, a 22° 37′ 50″ N e 13° 14′ 15″ O. A tripulação sobreviveu, mas o avião ficou onde pousou: recuperá-lo naquela planície de areia isolada não era viável. Desde então, o ar seco do deserto funciona como um museu natural: a fuselagem continua assente sobre o ventre na areia, com as asas abertas e os quatro motores no lugar, marcada pelo vento e pelo sol mas conservada a um ponto que espanta quem a vê pela primeira vez. O Pelican 16 tornou-se um dos destroços aeronáuticos mais célebres e fotografados do mundo e um destino quase ritual para os apaixonados por aviação, que percorrem milhares de quilómetros para o ver onde repousa, entre o horizonte de areia e o céu. É uma daquelas imagens que resumem o deserto: uma máquina imensa, construída pelo homem, deixada sozinha pelo tempo num espaço que não pertence a ninguém. O sítio situa-se numa zona fronteiriça sensível: chegar até ele não é uma viagem comum.

F'Dérik (Tiris Zemmour) — Cidade do ferro e Fort Gouraud sob a Kediet Ej Jill

F'Dérik é uma pequena cidade mineira e uma moughataa da região do Tiris Zemmour, no extremo norte da Mauritânia, numa zona desértica isolada, na vertente ocidental do monte Kediet Ej Jill, a cerca de 30 quilómetros a oeste de Zouérate e perto da fronteira norte. A cidade moderna foi construída no final dos anos 1950 pelas autoridades francesas em torno de um antigo posto militar conhecido como Fort Gouraud, e foi capital administrativa do Tiris Zemmour até esse papel passar oficialmente para a vizinha Zouérate no final de 1986. F'Dérik nasceu sobretudo como centro mineiro, para a extração e o aproveitamento das imensas riquezas de ferro da Kediet Ej Jill, e por ela passa o célebre caminho de ferro mauritano: o minério é carregado aqui no longo comboio do deserto com destino ao porto de Nouadhibou e à exportação. Além do ferro, a região é rica em ouro e em sal extraído das sebkhas locais, cuja produção aumenta de ano para ano. A moughataa conta apenas alguns milhares de habitantes (cerca de 4 715 no censo de 2013). Para o visitante, F'Dérik é uma janela para um norte pouco conhecido: as encostas minerais da Kediet Ej Jill, a passagem do comboio mineiro pelo deserto, os vestígios do período colonial e a memória do forte, o lago de F'Dérik onde os habitantes vão descansar na época das chuvas, e oásis e quintas locais como Oum Arwagen, apoiados por programas oficiais que incentivam os jovens a investir no turismo interno.

Guelta Oum Lahbal (Tiris Zemmour) — Canyon e água permanente perto de Zouérate

A guelta Oum Lahbal é o maior canyon montanhoso e o único oásis de água permanente da árida região do Tiris Zemmour, no norte da Mauritânia. Situa-se ao pé da montanha, perto da estrada do uádi Amerkli, a curta distância de Zouérate, o que faz dela a escapadela natural mais próxima para os habitantes da principal cidade do norte. O seu primeiro valor é ser uma exceção: água que permanece todo o ano numa das regiões mais secas do país, retida no fundo de um canyon rochoso cujas paredes a protegem do sol e do vento. Em redor da poça cresce vegetação dispersa e surgem as aves, e o lugar transforma-se num verdadeiro refúgio natural onde famílias e trabalhadores das minas vêm fugir à pressão da cidade — ao ponto de encher de visitantes aos fins de semana. A memória desta região é bem mais antiga do que as suas minas: durante séculos as caravanas dos nómadas do Sara percorreram esta terra pobre em vegetação e rica em minerais, e eram os pontos de água como Oum Lahbal que desenhavam as pistas e fixavam as etapas. Visitá-la hoje é uma experiência simples e profunda: caminhar no canyon, subir um pouco para dominar a planície e beber chá à sombra à beira da água.